Jamais deixe de amar o seu corpo

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Todos os dias, mulheres são bombardeadas de informações que as impõem a “necessidade” de um corpo perfeito. Na televisão, nas revistas e até no julgamento de outras pessoas: a pressão para que cada uma cultive um corpo magro, com as medidas “ideais”. Além de enraizar – ainda mais – uma cultura que supervaloriza uma beleza que não é real – afinal, cada corpo é bonito do seu jeito e magreza não é necessariamente sinônimo de saúde -, essa padronização desvaloriza a diversidade e oprime o público feminino.

Além de comumente causar distúrbios alimentares – já que as mulheres aderem à dietas prejudiciais à saúde para emagrecer -, essa pressão causa problemas psicológicos, já que muitas passam a sentir vergonha de seus corpos. A fim de investigar esse problema, a pesquisadora Jean Lamont, da Universidade Bucknell, realizou dois estudos voltados ao tema.

No primeiro, 177 estudantes universitárias responderam um questionário que continha frases como “sinto vergonha quando tenho que usar tamanhos maiores de roupa” e “sempre me sinto vulnerável a doenças”, as quais precisavam informar o quanto concordavam ou discordavam das informações. Após isso, as participantes relataram a quantidade de infecções que tiveram nos últimos cinco anos, e avaliaram sua saúde em uma escala de um a cinco.

Como a pesquisadora não gostaria que a pesquisa em relação à saúde fosse influenciada por uso de cigarro e depressão, por exemplo, o outro estudo, de longo prazo, foi realizado. Lamont propôs, então, que as participantes respondessem novamente o questionário em dois pontos diferentes do semestre: uma vez em setembro e outra em dezembro, época na qual as doenças infecciosas apresentam mais ocorrências.

Resultados

Com os estudos, Lamont descobriu que as mulheres que indicaram ter mais vergonha de seus corpos foram as mesmas que relataram mais infecções desde a adolescência. No segundo estudo, foi observado que estas mulheres também sofreram com mais infecções entre os dois questionários.Diante destes resultados, a pesquisadora sugere que sentir vergonha do corpo é um indicador de má saúde, já que esse sentimento leva as mulheres a prestar menos atenção aos sinais de seu organismo e avaliar de forma incorreta o seu estado de saúde.

Apesar de ser um estudo de pequena escala, ele mostra como a imposição de padrões de beleza é algo que, de fato, afeta de forma negativa inúmeros aspectos da vida feminina. Como mencionado anteriormente, cada corpo é bonito justamente por suas particularidades, e magreza não é necessariamente um indicador de saúde, da mesma forma que nem sempre o sobrepeso indica problemas. Enquanto a indústria da beleza não valoriza a diversidade e não apresenta representatividade para todas as mulheres – e não apenas para a minoria que possui o corpo dentro de padrões opressores -, é fundamental que as mulheres compreendam que apenas elas são as responsáveis por construir suas próprias definições de beleza e também as únicas que têm direito de emitir opiniões sobre seus corpos. Se amar é bom e saudável.

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