A pandemia do coronavírus, que desde o final de 2019 vem alterando profundamente o cotidiano de todas as nações do planeta, provoca diversos efeitos paralelos decorrentes das medidas sociais e sanitárias impostas pela necessidade de combater a propagação da doença. Entre elas, uma das que mais causam preocupação nos órgãos internacionais voltados à saúde, devido a seus efeitos duradouros e de longo prazo, é a questão da saúde mental da população.

Uma pesquisa recente, publicada em abril deste ano, realizada pelo Instituto Ipsos (a terceira maior empresa de pesquisa e de inteligência de mercado do mundo), encomendada pelo Fórum Econômico Mundial, aponta que o bem-estar e a saúde mental de 53% dos brasileiros piorou nos últimos 12 meses, ou seja, desde o início da pandemia no país, em março de 2020, até março deste ano. A mesma pesquisa foi desenvolvida em um total de 30 países e o Brasil só fica abaixo dos índices registrados em quatro outros países: Itália (54%), Hungria (56%), Chile (56%) e Turquia (61%). Casos de ansiedade, insônia e depressão foram os aspectos mais relatados pelos 2 mil entrevistados brasileiros, como consequências das alterações em suas rotinas causadas pela pandemia. O quadro confirma estudos anteriores da Organização Mundial da Saúde (OMS), que em 2017 já mostravam o Brasil como sendo o país que apresenta maior prevalência de casos de depressão na América Latina, com 9,3% da população sofrendo de transtornos de ansiedade. Frente a esse cenário preocupante, a comunidade científica de profissionais voltados ao tratamento da saúde mental, em especial psicólogos e psiquiatras, se preocupa que esse problema crie uma “epidemia paralela” que afete a saúde mental da população brasileira.

Atento a essa conjuntura nova e delicada, o Fátima Saúde vem desenvolvendo e aplicando, desde o início da pandemia, um programa de atendimento, acolhimento e acompanhamento de seus beneficiários em relação à Covid-19. O auxílio psicológico, tanto na prevenção quanto no acompanhamento e no tratamento de distúrbios causados pelos quadros mentais derivados da situação atípica que estamos vivendo, é uma das prioridades da operadora.

Ações constantes são desenvolvidas no Núcleo de Psicologia do Fátima Saúde, algumas delas destacadas pela psicóloga Anabel Machado Teixeira, que exerce o serviço de Psicologia da Saúde junto à Auditoria de Prestadores, da operadora. Intensificação dos casos de depressão, de alcoolismo, de transtornos de estresse pós-traumático, de suicídios e de relações de luto prolongadas patológicas são algumas das principais sequelas psíquicas com as quais a sociedade terá e já está tendo de lidar em função da pandemia.

Dicas para cuidar da sua saúde mental

Anabel Machado Teixeira, psicóloga atuando junto à Auditoria de Prestadores do Fátima Saúde

Com o intuito de auxiliar os beneficiários no esforço de cuidar de sua saúde mental durante a pandemia, a psicóloga Anabel Machado Teixeira elencou algumas dicas a serem seguidas, a partir das orientações divulgadas pela OMS:

• Cuide de seu descanso. O sono interfere diretamente no equilíbrio psíquico das pessoas. Procure dormir de 6 a 8 horas por dia, de maneira a acordar plenamente descansado e recuperado.

• Cuide de sua alimentação. Ficar atento aos alimentos que se consome e buscar uma dieta balanceada são ações que garantem os nutrientes necessários ao organismo, o que resulta no bom funcionamento dos processos químicos do cérebro.

• Evite drogas aparentemente amenizadoras de estresse, como o álcool e o tabaco, que, a médio e longo prazos, se transformam em vícios, causando desordens à saúde física e mental.

• Reforce seus contatos pessoais, mesmo que à distância. Sensações de tristeza, solidão, angústia, desamparo e ansiedade podem ser aliviadas contatando amigos e familiares por telefone, mensagens ou videochamadas.

• Reserve um tempo ao longo do dia para você. Não preencha sua agenda diária somente com atividades obrigatórias. Construa um espaço para fazer alguma atividade que lhe dê prazer, como ler um livro, assistir a um filme, cozinhar, aprender algo novo e diferente, praticar exercícios físicos, escutar uma música, cozinhar, cuidar de plantas etc.

• Lembre-se que você não é a única pessoa no mundo a estar vivendo essa situação imposta pela pandemia. Não se compare com os outros e procure detectar aquilo que mais funciona para você.

• É normal se sentir triste, assustado e menos produtivo do que o habitual em uma situação atípica de pandemia como a que estamos vivendo, o que faz com que surjam novos (e às vezes, estranhos) sentimentos. Não exija de si mesmo estar plenamente bem o tempo todo.

• Fique atento às suas necessidades psíquicas internas. Abafar e ignorar sentimentos pode não ser uma atitude saudável.

• Limite o tempo destinado a acompanhar as notícias. Manter-se informado é fundamental, porém, a busca por dados não pode se transformar em um gatilho para a ansiedade e a depressão. Defina um tempo e momentos específicos ao longo do dia para informar-se e atente a evitar contato com notícias falsas.