Cuidar de um filho é uma responsabilidade que, indubitavelmente, vai muito além dos cuidados básicos, como higiene e saúde física. Os pais têm um papel importante no desenvolvimento emocional de suas crianças e adolescentes, e isso exige uma preocupação e esforço diários.

Um dos hábitos que deve ser cultivado pelos pais são as perguntas. Além de mostrar interesse e atenção pela vida de seus filhos, é possível ajudá-los a lidar com os seus desafios.

Para as crianças, a especialista Blenda Marcelletti, membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise, ressalta que é fundamental que os pais não façam questionamentos em tom de vigia, e sim de verdadeiro interesse. Do contrário, a criança pode se sentir inibida e desenvolver um padrão de resposta, que pode não ser condizente com a realidade.

 

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Vejo alguns exemplos de perguntas que devem ser feitas às crianças:

  • “Está tudo bem?”: essa pergunta pode ser como o pontapé inicial para conversar com seu filho sobre possíveis problemas que ele está enfrentando. Também permite descobrir como se dá a relação da criança com a escola e os familiares, por exemplo.
  • “O que você deseja?”: de acordo com a especialista, este questionamento permite que os pais entrem em contato com as coisas que os filhos buscam. Também é possível ensinar as crianças sobre a liberdade de querer e as propriedades de cada desejo.
  • “Com o que você sonhou hoje?”: esta é uma das maneiras de se aproximar das fantasias de uma criança. Se o seu filho sentir que você compreende a sua imaginação, se sentirá mais seguro e confiante.
  • “O que te deixa com raiva ou nervoso?”: segundo a especialista, reprimir a criança quando ela apresenta um comportamento hostil. Conversar com ela sobre este assunto permite que a criança saiba lidar com os sentimentos negativos sem culpa.
  • “Como foi o seu dia? Do quê você brincou?”: as brincadeiras são a fase da vida em que uma criança aprende inúmeros valores importantes para o futuro. Ao acompanhar as brincadeiras de seu filho, é possível descobrir suas preferências. Além disso, a especialista ressalta que é fundamental que os pais compartilhem desses momentos, e não monitorem ou critiquem as brincadeiras, que devem ser feitas de forma totalmente livre.

A adolescência também requer atenção. As alterações de humor dos jovens – normais nesta fase da vida – faz com que os pais, por vezes, sintam receio de fazer questionamentos, esperando que os assuntos a serem tratados surjam de forma espontânea. A especialista Blenda explica que qualquer tema pode ser pauta de conversa com os filhos adolescentes, desde que o tom e a situação sejam adequados. Isso se dá pelo fato de que é essencial que os pais saibam o limite entre cuidado e invasão de privacidade, onde este último é o principal motivo que faz com que os adolescentes mintam ou recorram ao isolamento para evitar os questionamentos.

Confira alguns exemplos de questionamentos e abordagens ideais para estreitar naturalmente a relação com adolescentes:

  • “Como foi seu dia?”: é fundamental que esta pergunta seja feita com genuíno interesse, uma vez que os adolescentes são bons observadores do comportamento adulto, e podem se mostrar esquivos caso identifiquem alguma intenção de proibição ou autoridade na pergunta.
  • “Como são os seus amigos? Do quê você gosta neles?”: os amigos e demais relações sociais são de grande importância na vida das pessoas, principalmente na adolescência. Ao conversar sobre esse assunto, os pais demonstram interesse pela vida de seus filhos, além de poder acompanhar o desenvolvimento de suas crenças e valores.
  • “Qual a sua opinião sobre isso?”: na adolescência, o ideal é que os pais falem com seus filhos sobre estudos, profissões, sexo, amizades e todos os demais assuntos que afloram nesta fase da vida. Além de orientá-los, é preciso ouvi-los e ter paciência, para que assim os jovens se sintam seguros para falar abertamente sobre qualquer um destes temas, e desenvolver com mais facilidade e apoio suas próprias visões de mundo.
  • “O que você faria no lugar de seus pais/amigos/professores?”: este questionamento permite que você veja com mais clareza os valores e crenças de seu filho. Também é importante estimular este tipo de discussão para fomentar o altruísmo e o hábito de se colocar no lugar do outro.

Tomando estas perguntas como “norte” para conduzir os diálogos, é possível não apenas estreitar a relação com os filhos – sejam eles adolescentes ou crianças -, mas também obter a oportunidade de apoiá-los e auxiliá-los em seu desenvolvimento de forma amigável e amorosa, uma vez que a autoridade e a repreensão são condutas que inibem, em vez de aproximar e tornar as relações familiares prazerosas.